Jogo realizado na Ilha do Retiro pelo 3º turno do Campeonato Pernambucano de 2000. Mais uma vitória do Santinha sobre o Náutico. O Timbu estava invicto há 10 jogos e não perdia para o Santa Cruz no Campeonato Pernambucano desde 1999, quando em cinco jogos venceu quatro e empatou um. Em 2000, já haviam disputado duas partidas terminadas empatadas: 1x1 e 3x3.


Foto de Sinval, quando ainda atuava no Botafogo/RJ

Ouça os gols de Sinval e Márcio Allan (O árbitro anotou na súmula gol contra de Richard):


Narração: Adílson Couto / Rádio Jornal AM de Recife  
Reportagem de Campo: Pedro Silva



Jornal do Commércio:

SANTA VENCE NÁUTICO DE VIRADA
por Henrique Queiroz, Wladmir Paulino e João Marcelo Melo

A vitória de virada por 2x1 do Santa Cruz sobre o Náutico, ontem, na Ilha do Retiro, foi fruto da incompetência do ataque alvirrubro e da persistência da equipe tricolor, que soube aproveitar as poucas chances que criou. Mas o resultado só veio, quando o técnico Nereu Pinheiro colocou Sinval e Darci no segundo tempo. O artilheiro fez o gol de empate aos 30 e o zagueiro Richard, marcou contra, aos 37.

Agora, o Santa Cruz divide a liderança do terceiro turno com o Sport, ambos com seis pontos, embora o Rubro-Negro leve vantagem no saldo de gols. Já a situação do Náutico é muito complicada. O time só soma um ponto e encontra-se em posição vexatória na tabela. Terá de vencer o seus próximos jogos, principalmente quinta-feira contra o Central, nos Aflitos, e o Sport, domingo, na Ilha.

O Náutico entrou em campo determinado. Dominou as ações desde os primeiros momentos e criou uma série de oportunidades. Aos 8 minutos, Zezinho quase abriu o placar. Aos 12, o lateral Paulo César lançou na área e o goleiro Nílson defendeu no canto direito. Aos 19, o meia Fábio Melo mandou uma ‘bomba’ e Nílson deu rebote, que Bia finalizou em cima do goleiro.

A pressão alvirrubra continuou forte. O Santa Cruz confuso, com o meio-de-campo perdido, facilitou mais ainda o Náutico, mas seus atacantes permaneciam desperdiçando chances de gols, como aos 27, quando Bia, livre, finalizou fraco. Um minuto depois o Tricolor respondeu com Márcio Allan, mas Ney espalmou à linha de fundo.

O Náutico voltou a perder uma oportunidade clara de gol, com Bia aos 35. Zezinho, em bela jogada, deixou o companheiro frente a frente com Nílson, mas Bia errou e bateu em cima do goleiro. Dois minutos após, Zezinho fez 1x0 depois de tabela com Fábio Melo.

PÊNALTI E VIRADA – No segundo tempo, o Santa Cruz voltou mais determinado. Iniciou pressionando, mas a virada só viria depois da entrada Darci aos 10 minutos no lugar de Jean Carlo e de Sinval na vaga de Robson aos 18. Mesmo assim, o Náutico ainda atacava com perigo. Nílson defendeu uma cabeçada de Luciano aos 16 evitando o segundo gol alvirrubro.

O Santa Cruz, no entanto, chegava forte na frente e aos 19 mintuos o árbitro Antônio André errou ao não marcar um pênalti contra o Náutico, quando o lateral-direito Flávio empurrou Sinval dentro da área. No contra-ataque o time alvirrubro mais uma vez perdeu outra chance. Paulo César cruzou da esquerda e Zezinho, virou desequilibrado facilitando a defesa de Nílson.

Nem mesmo a entrada de Agostinho no lugar de Bia resolveu o problema de finalização do Náutico. Aos 27, Zezinho deixou Agostinho em condições de liquidar o Santa Cruz, mas o atacante conseguiu finalizar por cima do travessão.

Era o sinal que o Santa Cruz esperava. O time tricolor foi aumentou a velocidade e aos 30 minutos surgiu o gol de empate. O meia Leandro Agusto, pelo setor esquerdo, cruzou na área, a defesa do Náutico bateu cabeça e na sobra o artilheiro Sinval, de virada, colocou no canto esquerdo do goleiro Ney.

O caminho estava aberto para a virada. O Santa passou a pressionar usando a velocidade de Thiago, que sempre chegava com perigo. Foi assim aos 37 minutos. Ele escapou pela esquerda e cruzou forte. O meia Márcio Allan entrou na jogada e o zagueiro Richard, de barriga, desviou para suas próprias redes. O Náutico ainda tentou desperadamente o empate, mas foi detido pela agilidade do goleiro Nílson, que aos 46 minutos defendeu um chute cruzado do lateral Carlinhos.

Substituições de Nereu fazem a diferença

No vestiário, lotado após a partida, tinha-se a noção da importância da vitória coral no Clássico das Emoções. Comissão técnica e jogadores recebendo cumprimentos por todos os lados. A alegria estampada em todos os rostos. O treinador Nereu Pinheiro, o mais festejado, explicava a vitória e os erros cometidos na primeira etapa. “Com três desfalques na equipe, era natural que houvesse um desentrosamento. O time estava completamente desarrumado até que, no intervalo, acertamos o posicionamento e aproveitamos as chances de marcar que surgiram”.

O próprio Nereu reconheceu que o meio-de-campo Darci foi peça-chave para a virada tricolor. Ele entrou no lugar de Jean Carlo, aos nove minutos do segundo tempo, e soube organizar a meia-cancha da equipe, melhorando a marcação e a velocidade nos contra-ataques. “Passamos a nos posicionar de maneira diferente, destruíamos as jogadas adversárias com mais facilidade e partíamos em bloco em busca do gol. Com isso, nos impomos no meio e soubemos concluir as oportunidades criadas. A verdade foi esta”, disse Darci.

O zagueiro e capitão Eleomar lembrou das dificuldades encontradas nos últimos dois jogos, ambos vencidos de virada. “Nossas últimas partidas foram muito difíceis, tanto contra o Sport como contra o Central, em Caruaru. Mas diante do Náutico todos os atletas se superaram e conseguimos sair vitoriosos.”

Já o zagueiro César, que vinha de um período de oito meses sem jogar os noventa minutos, sentiu a falta de ritmo e deu alguns sustos na torcida no primeiro tempo. Como o resto do time, soube se recuperar. “Foi difícil entrar no jogo, mas com a ajuda dos meus companheiros e uma maior aplicação tática no segundo tempo, consegui um melhor equilíbrio”, disse César.

Questionado sobre uma provável alteração na equipe titular, diante do bom desempenho dos reservas, Nereu disse que não. “Isto mostra o bom nível de todos os jogadores do nosso elenco. Fico satisfeito em saber que tenho um grupo como este.”

Para a próxima partida, quarta-feira contra o Recife, no Arruda, a equipe do Santa Cruz terá a volta do zagueiro Janduir, o lateral Hilton e o volante Marcílio. No entanto, não terá a presença do zagueiro Eleomar e do lateral Wellington, que tomaram o terceiro cartão amarelo. O meia Jean Carlo saiu da partida sentindo dores na virilha esquerda, mas disse acreditar que se trata apenas de cansaço muscular e que já poderá atuar no meio da semana.

Para treinador alvirrubro, a derrota foi uma injustiça

“Um resultado injusto”, repetia o tempo inteiro nas entrevistas o técnico do Náutico, Luís Carlos Cruz, na sala de imprensa do belo vestiário da Ilha do Retiro. “Ninguém de bom senso pode afirmar que merecemos perder. Dominamos inteiramente o primeiro tempo e no segundo fizemos um jogo igual. Infelizmente desperdiçamos de seis a oito oportunidades de gols”, complementava o treinador.

No exato momento em que Luís Carlos Cruz atendia os repórteres, o gerente de futebol Édson Nogueira chegou com seu celular e deu para o técnico: “É o presidente Fred Oliveira. Ele quer conversar com você”. Após o diálogo, o técnico revelou: “O presidente viu o jogo pela televisão e disse para ninguém desanimar. Ele reconheceu que o time foi bem e fez uma grande partida”.

O técnico, no entanto, não quis criticar o seus atacantes: “A derrota é de todos. Mas vocês sabem que a diretoria não teve condições de contratar alguns jogadores”.

Os jogadores, por sua vez, também lamentavam a derrota e as chances de gols perdidas. “Perdemos gols, a bola ainda bateu na minha barriga e entrou, no segundo gol do Santa Cruz”, dizia Richard.

Zezinho, o melhor do time, lembrava o velho ditado de quem não faz leva, mas deixava claro que nada está perdido. “Vamos correr atrás porque tem muita coisa pela frente”.

O volante Fabrício era outro que preferia não criticar nenhum companheiro: “Estamos unidos na derrota e na vitória. O Náutico fez uma grande partida. Ninguém pode negar isso. Mostramos muita qualidade”.

Hoje os jogadores se reapresentam nos Aflitos. Haverá uma avaliação médica e treino para quem não atuou no clássico.

Nílson destaca a humildade e poder de reação do grupo


Desde que assumiu a camisa 1 do Santa Cruz, ainda sob o comando de Arturzinho, no ano passado, Nílson Correia Júnior destacava a garra e a humildade da equipe, principalmente nos momentos cruciais. Ontem não foi diferente. “Prevaleceram a humildade e a determinação de sair de um resultado adverso para a vitória”, concluiu.

Nem sempre visto com bons olhos pelas arbitragens – ganhou fama de contestador neste Campeonato – o goleiro tricolor já prometeu manter a boca fechada para evitar maiores incidentes. Tão fechada quanto a boca, ele mantém sua meta. Bem que Zezinho tentou, Bia arriscou e Agostinho se esforçou. Mas não teve jeito.

O dia era de ‘São Nílson’, que tem um coro da torcida: ‘Ão, ão, ão, meu goleiro é paredão!’ “A torcida do Santa é a maior, invade qualquer campo e nos ajuda bastante”, elogiou.

Para o arqueiro, o momento da virada começou no intervalo, quando Nereu pôs ordem na cozinha. “Ele ajustou o posicionamento na marcação e teve a felicidade de mexer bem no time”, avaliou. Quando Sinval empatou, aos 30 minutos, da etapa final, ele não teve mais dúvida. “Sabia que conseguiríamos a vitória”, arrematou.






Ficha Técnica:
Náutico
Ney; Richard, Gino e Luciano; Flávio, Fabrício, Fábio Melo, Marcinho (Biliu) e Paulo César (Carlinhos); Zezinho e Bia (Agostinho)
Técnico: Luis Carlos Cruz.

Santa Cruz
Nilson; Arley, César, Eleomar e Wellington; Renato Carioca, Leandro Augusto, Márcio Allan (Marcelinho) e Jean Carlo (Darci); Robson (Sinval) e Thiago.  
Técnico: Nereu Pinheiro.    

Local: Ilha do Retiro;    
Gols: Zezinho (Náutico); Sinval e Richard contra (Santa Cruz);  
Árbitro: Antônio André;    
Assistentes: Erick Bandeira e Irani Pinto;  
Cartão amarelo: Gino, Fabrício e Marcinho (Náutico); Arley, Eleomar, Wellington e Robson (Santa Cruz);    
Renda e público: não divulgados.    



Lembranças do jogo:

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